Final de tarde, começo de noite, não importa. O papagaio está lá, querendo dormir pendurado no portão enferrujado, esbravejando o que comprova minha ira. Independente se todas as vezes que evitei aquela calçada me valeram para algo, ainda mais depois do dia de hoje — mesmo se agora tudo está mais calmo —, somente lembrar me faz cada vez mais ter a convicção de como tudo está errado. Parelha de manicure com desempregado, viciado, violentos, ela. Já mandei parar! Inferno! Inferno.. oh. Poucas palavras, voz aguda, não humana, demasiadamente oscilante. Só em ouvir o choro ou se chama vira um bicho-mãe, mãe essa de três, cheia de fúria, esbanja covardia em ações livres de tentativas de reação. Ninguém na rua. O tempo juntamente aos meus afazeres comuns submergem as lembranças desses fatos, porém, sem perdê-los ou sem que eles percam o tom horroroso cinza. Voltando ao dia de hoje, para infelicidade dos réus, o único que "sabe" falar é, também, o único que tem coragem de dizer o que realmente acontece por trás daqueles portões, entre aquelas paredes, sob aquele teto de laje. Já mandei parar! Inferno! Oh.. inferno! Oh. Lamento pelos pequenos, meia década de idade e já tantas expectativas furadas sobre o que tem de bom na vida. Enfim meu caminho termina, o que não terminou ainda é a penosa rotina daquele projeto de família. Só espero que o vocabulário daquela ave não se aprimore, menos ainda tomando de instrutora aquela mãe-vilã, manicure, sempre irritada.
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